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Entrada Quatro: Fadas

 Fada vem do latim fatum, que significa destino, fado; isso advém do fato desse tipo de ser interferir no destino das pessoas (veja por exemplo a história da Cinderela, na qual a Fada Madrinha interfere na história da personagem, a mudando por completo). A primeira vez que tal termo foi utilizado data do século I a.C e, ao contrário do que já se pensou em outros tempos, fada não é o feminino de elfo e inclusive existem tanto fadas fêmeas quanto machos, apesar de a cultura midiática mainstream referenciar mais o primeiro tipo. A representação tradicional desse tipo de ser advém dos chamados Contos de Fadas, nos quais esses seres são representados de forma semelhante aos elfos mas com asas de libélula e uma varinha de condão. Muitas vezes, fadas também são representadas como seres de estatura diminuta.

Representação comum de uma Fada

Fadas tiveram, ao longo do tempo, diversas interpretações, o que pode gerar certa confusão. Sua interpretação mais comum (à qual eu prefiro e pretendo dar foco nessa entrada) é a de que elas são espíritos da natureza, habitando florestas e bosques e tendo poderes elementais. Tal interpretação é principalmente influenciada pela teosofia e seu conceito de Elementais, que será o tema da próxima entrada. Há também a interpretação de que fadas são parte do que chamarei aqui de Seres Ocultos, basicamente, entidades que habitariam nosso mundo escondidos, e cuja maior fraqueza seria o ferro frio. Outros seres como ogros também são classificados como Seres Ocultos nessa interpretação, e uma teoria já datada dizia que esse conceito veio da evolução da ideia que alguns dos primeiros indivíduos de nossa espécie teriam sobre outros do gênero Homo durante a pré-história, com o ferro simbolizando a fraqueza das fadas refletindo o fato de que o Homo sapiens conseguia criar armas de ferro, mais eficientes do que as armas de pedra que outras espécies do mesmo gênero poderiam fazer. Mas como eu disse, essa teoria já está datada.

Outra interpretação vê as fadas como demônios e, em um conceito semelhante, como "anjos rebaixados", na qual Deus teria fechado os portões do Céu e, nesse momento, os anjos que caíram para o Inferno seriam demônios, os que ficaram dentro do Céu quando os portões fecharam seria anjos e os que ficaram presos do lado de fora, mas não no Inferno, seriam fadas. Acho essa interpretação interessante, mas é apenas uma de várias. Alguns teorizam que as fadas já foram deidades cultuadas, como as Ninfas, mas após a chegada do catolicismo elas tiveram seu status reduzido. Por fim, há a interpretação que acho mais estranha, na qual fadas seriam espíritos dos mortos, o que advém de diveros conceitos folclóricos que fadas teriam em comum com fantasmas, como o fato se dizer que ambos vivem embaixo da terra, assim como do fato de que o termo irlandês para fada, sídhe, também significar túmulo.

Há, ainda, uma forma de se classificar fadas. No folclore escocês, elas podem pertencer a duas cortes, a Seelie Court (fadas boas) e a Unseelie Court (fadas más). Seelie significa fada. O folclore francês as divide de modo majoritariamente semelhante, assim como irlandês, com a diferença de que as fadas más seriam aliadas do Diabo. No folclore da Cornualha, fadas são dividias em cinco classes: as Pessoas Pequenas, os Spriggans, as Piskies (mais conhecidas como Pixies), os Bockles ou Knocker, e os Brownies, que se assemelham a outro ser folclórico, o Hobgoblin. Por fim, há também a classificação galesa, que divide as fadas (também chamadas de Tylwyth Teg) em cinco tipos: os Ellyllon (elfos), os Bwbachod (similar aos Brownies e Hobgoblins), os Coblynau (espíritos das minas), as Gwragedd Annwn (damas do lago) e as Gwyllion (que parecem com as velhas bruxas da cultura popular). Antes de fechar por completo a parte de classificação das fadas, quero mencionar outro tipo muito popular, os Changelings, fadas que ficam no lugar de pessoas raptadas, especialmente bebês, mudando de forma para se assemelhar ao humano sequestrado. 

Antes de concluir essa entrada, quero destacar o recorrente tema relacionado ao Reino das Fadas, que aparece em várias obras de ficção como um mundo oculto no qual fadas e outros Seres Ocultos habitam, longe dos humanos. J.R.R Tolkien a tratou como Feéria, um mundo mágico mas também cheio de perigos, e em sua obra The Sandman Neil Gaiman a batizou de Faerie (que significa fada), um reino governado pela rainha Titânia e, anteriormente, também por seu ex-amante, Oberon (ambos entidades místicas de Sonhos de Uma Noite de Verão, de Shakespeare). Além disso, quero colocar aqui o nome de algumas das principais fadas da cultura popular, bem como seus respectivos papéis:

-Lorelei: Fada alemã de belos cabelos loiros, que atrai homens e os afoga de modo semelhante às sereias
-Morgana Le Fey: Morgana vem de uma palavra que significa "mulher que veio do mar", e Le Fey se traduz como "a fada". É a protetora do Rei Arthur em Avalon.
-Viviane: Amante de Merlin.
-Sininho: Fada da história de Peter Pan. 

A próxima entrada será a respeito dos Elementais, o que conversa bastante com o assunto das fadas. De qualquer modo, até a próxima.

P.S: Não mencionei as Fadas do Dente, mas elas são consideravelmente importantes no folclore geral, e especula-se que advenham do período dos Vikings!|

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